domingo, 30 de setembro de 2012
Estresse
O cérebro comanda nosso corpo, e interage com ele e com o meio, se auto-regulando permanentemente, para manter a estabilidade e garantir a sobrevivência.
Cada um de nós vive um processo permanente de troca com o meio ambiente e com isso vamos desenvolvendo novos recursos de adaptação.
O cérebro capta os estímulos externos através dos órgãos dos sentidos, e esta mensagem é decodificada e processada no córtex cerebral através de reações bioquímicas, elétricas e eletromagnéticas. Com isso, cada organismo cria um "estado" (sensações, emoções) e uma fisiologia própria que determina uma resposta aquele estimulo, ou seja, um comportamento. Desde a Idade da Pedra, o homem vem tendo que lutar para sobreviver. Para se adaptar ao meio, muitas vezes hostil, o organismo desenvolve um mecanismo de defesa que esta centrado no cérebro e é disparado toda vez que o homem está diante de um perigo ou ameaça. Esse mecanismo determina o comportamento de "luta" ou "fuga" que este presente em todos nos quando nos sentimos “ameaçados".
As ameaças podem ser reais ou imaginárias. Ameaças reais como competição no ambiente de trabalho dificuldades de relacionamento, trânsito complicado nas grandes cidades, diferentes tipos de poluição, crise financeira, instabilidade de emprego, falta de moradia, assaltos etc., são freqüentes em nossas vidas atualmente e mais fáceis de ser percebidas e compreendidas.
Ameaças imaginárias são aquelas que consideramos como situações "provavelmente" intransponíveis. É muito comum nos sentirmos preocupados com situações que ainda não foram resolvidas. Exatamente por não terem sido resolvidas ainda. Nesses momentos nos sentimos desconfortáveis, inquietos e tensos. O córtex cerebral "avisa" outra área do cérebro, o hipotálamo, para "armar" o organismo, e este por sua vez, envia a mensagem a glândula hipófise. Ela então "manda" a supra-renal produzir mais hormônios como os corticóides e a adrenalina. São eles que vão preparar o corpo para lidar com a situação ameaçadora (real ou imaginária) e, em poucos segundos começa uma revolução interna. A pressão arterial e os batimentos cardíacos aumentam para bombear mais sangue para os músculos, e a respiração se acelera para oxigená-los melhor.
Concomitantemente vivenciamos diferentes formas de bloqueio a essas reações (fuga ou ataque) como censuras sociais e principalmente autocensura.
Tenhamos por bloqueios, imposições como termos que cumprir regras sociais, nos submeter as manobras políticas, "engolir" as raivas, medos, aborrecimentos, frustrações, inseguranças. Com isso, muitas vezes nos vemos "impedidos" de reagir imediatamente e portanto, "impossibilitados" de descarregar todo esse mecanismo orgânico "armado" a partir da situação ameaçadora (real ou imaginária).O ser humano possui, por essência, potenciais infinitos de transformação.
A questão está em identificar o que pode e o que não pode ser transformado. Adaptação não pode ter uma conotação passiva, mas sim a de uma aceitação ativa e consciente de uma realidade que não pode ser modificada e com a qual o homem deve aprender a conviver para não ficar sofrendo desnecessariamente. Tem coisas que podemos, tem coisas que não podemos. Identificar limites entre os "possíveis" e os "impossíveis" parece ser a grande questão humana.
Transformação pressupõe identificação daquilo que precisa e pode ser modificado. Dai a necessidade do autoconhecimento e da estimulação dos processos de percepção dos estímulos a nossa volta. Quanto mais nos conhecermos, melhores condições teremos de equilibrar nossas emoções às circunstâncias externas ou modificar o que nos perturba.
Quando ficamos "armados" e prontos para nos defender ou atacar permanentemente, e como se partíssemos do princípio de que perigo pode vir de qualquer parte e a qualquer momento e pode nos atingir. E como se as situações ameaçadoras (reais ou imaginárias) não deixassem de existir, ou não nos dessem "nenhuma folga". Com isso subestimamos nossos potenciais de criatividade e ignoramos forças que possuímos, ou que muitas vezes sequer percebemos que temos.
O stress (estresse) pode ser considerado uma psicopatologia quando inibe qualquer possibilidade de resgate de descontração (o "desarmar") podendo bloquear tanto elaborações interiores (mundo subjetivo das emoções) como atitudes e comportamentos diante de diferentes situações (pseudo-alienação, pseudo-inércia etc.)
Não basta compreender o mecanismo do Stress. É fundamental que cada um identifique o grau de conhecimento que tem de si mesmo e do contexto em que vive.
Evite o Stress: 10 dicas relaxantes
As causas do stress acabam, de uma maneira ou outra, sendo construídas pela própria pessoa e vão desde a ansiedade a mudança brusca no estilo de vida e a exposição a um determinado ambiente, que leva a pessoa a sentir um determinado tipo de angústia. Mas há maneira de se evitar isso. Basta seguir estas dicas.
1. Organize-se
Antecipe os detalhes para não se estressar depois. Compras no shopping? Faça uma lista. Salão de beleza? Marque horário com antecedência! Aproveite para eliminar as “obrigações” que não são tão necessárias assim. Avalie cada uma de suas atribulações atuais de acordo com a quantidade de stress que produzem versus o valor que retira de cada uma. Seja radical e faça o que tiver de fazer para eliminar aquelas que lhe proporcionam mais stress do que prazer. Para ter uma vida mais organizada, evite adiar, de deixar para depois. Crie o hábito de “fazer agora” .
2. Reconheça seus limites
Nem sempre é possível resolver um problema na hora em que você quer. Aceite isso e espere a hora certa. Até lá, alivie a pressão compartilhando com seus amigos. Isso pode ajudar também a chegar a uma ideia que lhe auxiliará a encontrar uma solução.
3. Cuide de sua saúde
Descanso e alimentação são fundamentais para manter sua saúde equilibrada além de deixar você bem mais preparado para lidar com o stress durante o dia. Fundamental é também a prática de uma atividade física. Correr, caminhar, jogar tênis ou até mesmo cuidar do jardim são atividades que liberam substâncias calmantes em seu organismo. Não se esqueça de reservar em sua concorrida agenda, espaço para esportes e lazer.
Importante: mesmo quando os pequenos problemas de saúde surgirem, evite a automedicação.
4. Seja social
Isolar-se leva a frustração. Mantenha-se em contato com as pessoas, seja prestativo a um vizinho, participe como voluntário das organizações assistenciais. Este é um bom motivo para fazer novas amizades e tornar a vida mais interessante. Em contrapartida: evite as pessoas difíceis. Sabe aquelas que, realmente, por mais que você seja positivo, altruísta e companheiro, estão sempre querendo enxergar o mal no mundo? Corte relações.
5. Aprenda a relaxar
Crie ambientes calmos para fugir em alguns momentos do dia. Um cantinho no quarto para ler um bom livro, uma fugida do barulho da casa para ouvir uma música agradável em seu quarto. Trabalhe também com aromas relaxantes, presentes em óleos perfumados e essências. Um escalda-pés com quatro gotas de óleo essencial e água bem quentinha alivia a fadiga e induz nosso corpo a sensações agradáveis. E que tal um "recarregador de baterias" portátil? Leve na bolsa um frasquinho com um aroma energizante, e inspire-o quando estiver sem forças. Laranja, ilangue-ilangue, lavanda e canela são indicados para estas ocasiões.
Você pode alegar que não tem como parar nunca. Então, o ideal é aproveitar enquanto realiza tarefas das quais não consegue fugir para dar uma relaxada. Quando estiver no trânsito, use o tempo para alongar os músculos. Estique o braço a frente do corpo e estenda o músculo segurando os dedos com a outra mão. Movimente também o pescoço para um lado e para outro, para aliviar a tensão.
No trabalho, tire os sapatos e pise com um dos pés em uma bolinha de tênis, fazendo movimentos de vaivém. Depois de 2 minutos, repita com o outro pé.
Encontre tempo e espaço para você mesmo!
6. Faça o que gosta
Lembra dos gurus do começo do texto? Alguns deles gostam de padronizar a técnica de relaxamento, transformando-a em moda. Vão dizer que o melhor para aliviar o stress é jogar sementes de melancia para o alto enquanto você canta alguns mantras, por exemplo.
Mas o segredo pode estar em simplesmente fazer o que se gosta. E nessa lista entram também jogar conversa fora com os amigos, o chopinho em um happy hour com moderação, cantar em um karaokê, escrever poemas. Apenas busque dentro de você a atividade que lhe dá prazer, e faça-a com paixão!
7. Aceite Errar
Além de cortar o stress você vai evoluir muito em sua vida e na visão que os outros tem de você. Aceitar errar, ser humilde para reconhecê-lo e estar pronto para aprender uma maneira nova de fazer aquilo que você acreditava só se resolver do seu jeito é um santo remédio.
8. Chore
Sem vergonha e sem medo. Chorar alivia a ansiedade e pode evitar uma enxaqueca.
9. Viva mais devagar
O tempo é o mesmo, desde que o mundo é mundo. Hoje, vivemos quase aos segundos, contando no relógio cada micromovimento durante o dia. Dê um basta nisso e viva mais devagar. Coma saboreando a comida. Fale reforçando cada palavra. Ande curtindo o vento em seu rosto. Dê tempo ao seu tempo.
10. Ajude os outros
Mesmo com a rotina cheia de responsabilidades, encontre tempo para ajudar ao próximo. Seja diretamente ou através de uma instituição séria, seja voluntário levando um pouco do que aprendeu na vida para quem precisa. Isso vai se reverter numa corrente de bem-estar e evolução pessoal.
domingo, 23 de setembro de 2012
Augusto Cury: Controle suas Emoções
Aprenda a controlar suas emoções, acesse o link abaixo
http://www.youtube.com/watch?v=zwIXarM3Dak&feature=related
Taxa de analfabetismo funcional fica estagnada entre 2009 e 2011
Ainda temos muito o que fazer para mudar essa realidade.
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2012-09-21/taxa-de-analfabetismo-funcional-fica-estagnada-entre-2009-e-2011.html
Reportagem com Selton Melo sobre a importância da terapia pessoal
Diretor de ‘Sessão de terapia’, Selton Mello fala sobre como a análise o ajudou a sair de crise profissional
Série, que estreia em 1º de outubro no GNT, tem um terapeuta como protagonista
RIO - Recentemente, Selton Mello trocou a casa um tanto isolada onde morava há 12 anos, no alto da Gávea, por um novo lar na Lagoa, mais perto da agitação. Prestes a completar 40 anos, em dezembro, o ator/diretor queria outros ares. A nova e significativa idade, no entanto, não chega com peso. Selton diz estar vivendo um ótimo momento e, em suas palavras, fazendo o que gosta.
Ficou para trás a crise profissional revelada por ele no lançamento de “O palhaço” (filme de 2011, selecionado na semana passada para concorrer a uma indicação ao Oscar pelo Brasil). Na época, o diretor e ator do filme disse que a história do artista de circo com dúvidas em relação à vocação era um reflexo do momento que ele próprio vivia. A psicanálise e a direção, dois dos fatores que o ajudaram a superar essa fase, estão reunidos em seu novo trabalho: “Sessão de terapia”, série de ficção que estreia no GNT em 1º de outubro, às 22h30m:
— A direção veio acrescentar à minha vida. Posso trabalhar na frente das câmeras e atrás também. Este ano me dediquei só à série como diretor, não atuei. E foi ótimo. De repente, ano que vem, atuo. Vou variando. Tenho múltiplas possibilidades, e a terapia me ajudou a chegar a este raciocínio.
A atração é uma versão de “BeTipul”, série criada em 2005 pelo israelense Hagai Levi, e que já teve mais de 30 versões pelo mundo. Dos EUA, vem a mais famosa: “In treatment”, com o ator Gabriel Byrne; na Romênia está a versão favorita de Selton, que recebeu o nome de “In deriva” Em comum, todas têm uma característica que chama a atenção do diretor: a humanização do terapeuta.
— Uma das ignorâncias mais comuns em relação à terapia é achar que o cara vai resolver sua vida. O terapeuta está ali para dar ferramentas e repertório para você se conhecer melhor. É um trabalho nobre. Sou fã da terapia.
A experiência por trás das câmeras do “Sessão de terapia” deu vulto à ainda recente carreira de diretor de Selton. Para a primeira temporada, foram gravados 45 episódios, o equivalente a nove longas-metragens, ele explica. Tudo em 47 dias. O mergulho no universo da série foi profundo. Um outro ângulo da terapia para quem, como ele, faz análise há alguns anos.
O enredo gira em torno de Theo (Zécarlos Machado), um terapeuta que recebe seus pacientes no consultório anexo à sua casa em Higienópolis, em São Paulo. De segunda a quinta, os espectadores acompanham as sessões de quatro deles, um por dia. Na sexta, Theo conversa com sua supervisora, Dora (Selma Egrei). Esse formato é um dos trunfos da atração, na opinião de Selton, já que, na sexta, você conhece os dramas do terapeuta e, inclusive, fica sabendo o que ele pensa sobre cada paciente.
— Quando você assiste à próxima sessão do paciente, já o vê com outros olhos, porque sabe o que o terapeuta pensa. Talvez não seja uma série para todo mundo, há quem ache chata. Mas quem embarca não sai mais, porque é tudo muito humano. São duas pessoas falando numa sala. Exige imaginação do espectador — opina.
A trama básica é a mesma em todas as versões. Até o cenário e alguns movimentos de câmera são similares. Mas Selton não se incomodou com essa estrutura pré-estabelecida:
— Não me senti preso porque há um trabalho delicado de trazer a trama para a realidade brasileira. Além disso, não é uma série onde o diretor deve brilhar: é uma série dos atores. Meu trabalho ali é encontrar o tom certo para eles. Não tenho que ficar mexendo muito a câmera ou fazendo grandes malabarismos visuais. É para ser uma direção simples, o que exige precisão.
Selton acredita que, em comparação a algumas das outras adaptações da série — ele assistiu à israelense, à americana, à russa, à holandesa, à argentina e à romena —, a brasileira tem características bem particulares:
— A nossa talvez tenha mais sangue, mais coração. Vi algumas versões em que a psicanálise é retratada de forma bem fria, os pacientes não se deixam envolver muito. Nós somos latinos, então tem mais emoção, mais passionalidade.
Entusiasta das séries de TV, Selton está animado em seguir esse filão. Já existe um namoro entre ele e o GNT para uma segunda temporada do “Sessão de terapia”, a depender do desempenho destes primeiros 45 episódios. Apesar de confiante no trabalho dos atores e da equipe, ele é ponderado:
— Essa série é um risco grande. Ela tem uns tempos, essa coisa de ser apenas um diálogo... É um desafio prender a atenção do público que está ao mesmo tempo no Facebook ou atendendo telefone. Por outro lado, o Brasil tem tradição de telenovela. O espectador brasileiro está acostumado a acompanhar algo de segunda a sexta. Por isso, acho que a série pode ter uma resposta de público grande.
No ano que vem, além de escrever um novo filme e de atuar no longa “Soundtrack” — dos mesmos diretores do curta “Tarantino’s mind”, no qual atuou ao lado de Seu Jorge —, Selton pensa em criar uma série de ficção para o GNT:
— Começar do zero, inventar... Vamos ver no que dá.
Fã de “Família Soprano”, “A sete palmos” e “Curb your enthusiasm”, ele acha que o formato é um fenômeno e que o Brasil deve surfar nessa onda.
— Nos EUA, já fizeram tudo que era possível no cinema. Efeito especial, explosão, 3D... Mas chega uma hora em que se pensa: o que fazemos agora? E me parece que eles estão voltando alguns passos para o mais humano, sem muita pirotecnia. E isso está aparecendo na TV. Grandes artistas e técnicos estão indo para lá. Hoje em dia, é na TV americana que estão as grandes experimentações de linguagem, e acho que isso começa a vir para cá também. Já fizemos alguns ótimos seriados. O melhor, para mim, chama-se “Filhos do carnaval” (exibido em 2006, na HBO). Era uma série lindíssima. A gente pode começar a fazer mais isso, sim — deseja.
sábado, 15 de setembro de 2012
Para estimular criatividade, universidade cria sala da imaginação
Uma escadaria no formato de urso panda, uma mesa de bilhar com obstáculos e um sofá modular que vira uma cama gigante. Esses são alguns dos objetos que fazem parte do salão da imaginação (imagine lounge) montado pela Universidade de Bangcoc para estimular a criatividade dos estudantes.
A área, que entrou em uso em agosto, é uma iniciativa pioneira nas universidades do país e deverá ser utilizada por mil alunos a cada dia. A decoração de cores fortes e traços ousados custou cerca de 20 milhões de bahts, a moeda local (aproximadamente R$ 1,2 milhão).
"O que queremos é dispor de um espaço multidisciplinar e multidimensional para estimular a mente. Com isso, estamos preparando nossos alunos para a sociedade criativa de hoje em dia", disse Petch Osathanugrah, diretor executivo e milionário herdeiro da instituição.
O lounge é uma área de estudos e diversão que estará aberta a todos os cerca de 20 mil alunos da universidade, mediante o pagamento de uma taxa de manutenção.
O centro criativo será palco de atividades, workshops e debates entre estudantes, profissionais e professores.
Diversão
Além de contar com uma biblioteca de gibis e livros de arte, o espaço também oferece opções de lazer como uma minidiscoteca, uma área para concertos de bandas de garagem e até um cantinho para a prática de lutas marciais.
"Nesse projeto redefinimos o que se espera de uma instalação educacional", avalia Pitupong Chaowakul, arquiteto do escritório Supermachine, responsável pelo design. Avaliando o resultado, fica claro que "a universidade leva a diversão muito à sério", diz.
No térreo ficam os livros, o café e a área de leitura que se conectam ao mezanino por uma escada em formato de urso panda ou uma barra de escorregar, como aquelas utilizadas pelos bombeiros.
No mezanino há, entre outras coisas, uma sala toda em rosa-choque dedicada à dança, com globo de espelhos e barra de pole dance.
"Por que não fazer uma pausa na leitura, ir dançar na barra de pole dance por uns cinco minutos e depois voltar? É saudável!", brinca Chaowakul. "Não queremos nada comum e chato. Para a criatividade crescer e florescer é preciso um ambiente propício" conclui Osathanugrah.
O salão da criatividade estará aberto à visitação pública em horário comercial e se localiza no prédio principal do campus de Rangsit, ao norte de Bangcoc.
O prédio é uma criação em forma de diamante, vencedora de diversos prêmios de arquitetura na Ásia e destino obrigatório de pessoas interessadas em design.
sábado, 8 de setembro de 2012
Digestão intelectual
"Somente a consciência individual do agente dá testemunho dos atos sem testemunha, e não há ato mais desprovido de testemunha externa do que o ato de conhecer."
OLAVO DE CARVALHO
Tudo o que escrevi, incluindo o mais abstrato, nasceu direto da experiência -- do esforço de traduzir em símbolos e conceitos aquilo que a vida mesma parecia me dizer.
Não me lembro de ter jamais reagido de maneira puramente intelectual a um estímulo intelectual, muito menos de maneira verbal a um estímulo verbal. Os produtos culturais, livros, idéias, fórmulas, não exercem sobre mim nenhum impacto antes de uma longa digestão vivencial. Minha primeira leitura ou audição é inteiramente passiva e até inocente. Entrego-me indefeso e sem reação ao que estou lendo, ouvindo, vendo. Deixo que tudo se acumule na memória e que as coisas sem interesse acabem escoando sozinhas pelo ralo do esquecimento. As que sobram bóiam um tempo à superfície da consciência, afundam, somem, voltam à tona, reaparecem em sonhos ou em clarões fugazes, dias ou semanas depois. Nesse ínterim sofreram alterações, adaptaram-se de algum modo ao meu metabolismo interior. Quando voltam, já não são criaturas estranhas: são habitantes do meu cenário pessoal. Mesmo então, não me ocupo delas deliberadamente. Deixo que repousem, como livros nas estantes, até o momento em que pareçam ter alguma utilidade. Isto acontece quando algum fato, espoucando no mundo exterior ou brotando espontaneamente da memória, se aproxima delas por semelhança, contraste ou alguma outra razão, exigindo ser expresso nos termos delas ou rejeitando-os violentamente. É só quando solicitam repetidamente minha atenção que começo realmente a “pensar” nelas. “Pensar” não é bem o termo. Tento, primeiro, exprimi-las, dizer o que dizem. Se tudo vai bem, anoto-as, mas só para fins de registro. Tornaram-se minhas, mas ainda não as assumo como crenças pessoais: são só impressões, que o desenrolar da vida pode desmentir, alterar, ampliar, fundir. Às vezes, porém, não chegam sequer a esse ponto. Na hora de exprimi-las, noto que não consigo dizê-las numa voz interior que eu reconheça como minha. Fazem soar uma nota falsa. Em algum ponto estão raspando, forçando passagem, estranguladas num conduto mental que as rejeita. Isto ainda não tem nada a ver com recusa intelectual, com negação consciente. É um simples sentimento de falta de naturalidade, um desconforto quase físico, como se eu tentasse engolir um bife de plástico. Elas apenas ainda não se harmonizaram o bastante com o meu modo de ser para que eu possa fazer delas objeto de discussão interior, exame refletido, concordância ou discordância. Então decreto sumariamente que não as compreendi, e deposito-as num arquivo de encrencas, à espera de que o curso das coisas, as leituras ou a sorte as completem, as corrijam ou, de algum modo, as digam melhor. Quanto às outras, as de expressão fácil, é só quando chego a perceber claramente suas implicações na minha vida real que começam a significar algo para mim. E é somente aí que começa o trabalho verdadeiramente intelectual de examiná-las, criticá-las, conferi-las com as palavras dos mestres e o estado da ciência, julgá-las e, por fim, explicá-las oralmente ou por escrito.
Quem vê a prontidão das minhas respostas não imagina a lerdeza e a complicação do meu processo mental. É que não me meto a discutir senão assuntos longamente metabolizados, tornados familiares não só à minha memória mas ao meu modo de ser. Então as respostas vêm fáceis, parecendo improvisos, lampejos gratuitos de um dom natural de compreender num relançe. Mas não são nada disso: são frutos de um trabalhoso “saber de experiência feito”, de uma complexa e lenta ruminação bovina. Não que esta me seja desagradável e dolorosa. Ao contrário: ela sim me é natural, é meu autêntico ritmo interior, o modo de ser arraigado e renitente de um típico “secundário” da caracterologia de Le Senne.
Justamente por isso não me reconheço no “Pensador” de Rodin. Aquela concentração dolorida, aquela crispação não têm nada a ver comigo. Meu processo é lento, profundo e confortável como o silencioso operar das funções orgânicas. Tem seus percalços, suas perturbações, como todos os processos naturais. Mas recusa-se obstinadamente a sair das linhas que o giro normal do cosmos lhe prescreveu. Nada me desagrada mais do que solicitarem minha atenção para o mundo exterior quando estou imerso no meu secreto mar de símbolos. Se o tempo é a substância da vida, a atenção é a seiva do espírito. Detesto que me suguem a seiva no instante em que a estou renovando por um mergulho no fundo da natureza das coisas tal como ela se manifesta na minha própria natureza.
O “pensar”, para mim, é só a última e mais superficial etapa de um trabalho complicado que passa pelas sensações, pela memória, pelos sentimentos, pela imaginação. Pensar é fácil, depois que você já escavou o material do fundo da experiência. O problema é que nossos intelectuais de hoje, mesmo quando pensam direito, pensam sem material. Sua experiência é de superfície, de segunda mão, é experiência “cultural” colhida da conversação comum e dos “topoi”. No que escrevem há idéias, opiniões: nenhuma “impressão autêntica”, como as chamava Saul Bellow.
Por isso também é raro que eu consiga escrever algo que já não tenha falado. Com muitos escritores acontece o contrário: se falam, perdem a substância do que iam escrever, como numa ejaculação precoce, num presente-suspresa prematuramente revelado. Precisam do segredo para criar. Mas minhas palavras são secretas por natureza. Brotam de uma obscura elaboração orgânica e não poderiam sair da toca antes do tempo, mesmo que quisessem. A expressão escrita não me vem sem aquela preparação indispensável que é a tentativa oral, seja em conversas informais, seja em aula. É impossível passar direto de uma vivência quase corporal à expressão escrita. A fala em voz alta, com os gestos e entonações que a sublinham, é um intermediário indispensável. Só consigo escrever quando sei que gestos e entonações a frase escrita deve imitar para que nelas transpareça a pessoa inteira do seu autor. Pois só a pessoa inteira pode dar testemunho da realidade que presenciou.
Registro estas coisas não porque elas sejam interessantes em si mesmas, mas porque podem ajudar alguns leitores, por semelhança ou contraste, a observar e compreender melhor o seu próprio processo interior. Cada um de nós é, na orquestra das comunicações humanas, um só instrumento: um violoncelo, uma tuba, uma flauta, um tambor. Cada um tem suas exigências próprias, que é preciso compreender para poder afiná-lo.
Da minha parte, estou persuadido de ser uma trompa de caça, que não clama do alto das amuradas, como os trompetes, nem geme ao pé dos ouvidos apaixonados, como os violinos, mas ressoa do fundo da floresta, indicando o caminho aos caçadores ou alertando para a proximidade dos animais de presa.
sábado, 1 de setembro de 2012
Gerenciamento do Tempo
Gerenciar o tempo significa estabelecer e seguir um planejamento de estudo
que vise organizar e priorizar os estudos
em um contexto de atividades competitivas no trabalho, família, etc.
Diretrizes:
Monitore seu tempo
Reflita sobre como utilizar o tempo
Saiba quando estiver perdendo tempo
Saiba quando estiver produtivo
O fato de saber como você utiliza o tempo deve ajudá-lo a planejar e predizer o término de um projeto:
Tenha uma lista de "Faça". Escreva aquilo que tem que fazer, então decida o que fazer naquele momento, o que agendar para mais tarde, o que pedir para alguém fazer e o que adiar para mais tarde.
Faça um planejamento diário/semanal. Anote em caderno ou quadro, por ordem cronológica, compromissos, aulas e reuniões. Sempre saiba de ante-mão o que tem para fazer naquele dia; sempre vá para a cama, sabendo que você está preparado para o dia seguinte.
Faça um planejamento de longo prazo. Use um quadro mensal para que você sempre possa planejar de ante-mão. Planejamentos de longo prazo também servem para lembrá -lo de planejar seu tempo livre construtivamente.
Plano de estudo eficaz
Durma o suficiente; tenha uma dieta bem-balanceada, e tenha momentos de lazer
Dê prioridade as tarefas
Prepare-se para discussões/debates antes da aula
Programe o tempo para rever o material da palestra imediatamente após a aula;
Lembre-se: O esquecimento se dá dentro de 24 horas em que não houve revisão
Programe cinquenta minutos de estudo
Escolha um local para estudo em que não ocorram distrações
Busque "períodos onde o silêcio impere"
Programe, tanto quanto possível, horas de estudo durante o dia
Programe uma revisão semanal
Previna-se para não se tornar escravo de seu planejamento.
A satisfação em "riscar" uma tarefa executada pode gerar um sentimento de realização, até mesmo um sentimento gratificante de missão cumprida!
Veja também:
Gerenciamento do tempo | Gestão do tempo diário | Evite a procratinação |
Auto-Disciplina | Organizando Projetos de Estudo | Como falar em público
Como lidar com stress
Primeiro você precisa reconhecer o stress:
Sintomas de Stress incluem manifestações mentais, físicas e sociais.
Estes sintomas incluem exaustão, perda ou aumento de apetite, dores de cabeça, tristeza, insônia e sonolência. Escapismo através do álcool, drogas e outros comportamentos compulsivos também são indícios freqüentes.
Sensações de preocupação, frustração ou apatia podem acompanhar o stress.
Se você sente que o stress está afetando os seus estudos, uma primeira opção é procurar ajuda por meio do seu centro de acompanhamento educacional.
O Combate à Tensão é a habilidade de manter o controle quando situações, pessoas e eventos fazem exigências extremas. O que você pode fazer para gerenciar o seu stress? Quais as possíveis estratégias?
Tente ser positivo
Dê a si mesmo, preferencialmente, palavras inspiradoras sobre de que modo você pode obter sucesso a despeito das dificuldades do que "como tudo está horrível". "O Stress pode, de fato, ajudar a memória, favorecendo-a na lembrança de curto-prazo e não prejudicando tão seriamente.O Stress ocasiona que mais glicose seja liberada para o cérebro, o que disponibiliza mais energia para os neurônios. Isto por sua vez melhora a construção e recuperação das memórias. Por outro lado, se o stress for prolongado, isto pode impedir a disponibilidade de glicose e atrapalhar a memória. All Stressed Up, St. Paul Pioneer Press Dispatch, p. 8B, Monday, November 30, 1998
Tente "utilizar" o stress
Se você não consegue lutar contra algo que o está incomodando e não tem como fugir agüente firme e tente usar isto de uma maneira produtiva.
Olhe à sua volta
Veja se realmente existe alguma coisa que você possa mudar ou controlar na situação. Aprenda como relaxar melhor
Meditação e exercícios respiratórios têm provado ser bastante efetivos no controle do Stress.
Crie o hábito de purificar sua mente de pensamentos nocivos.
Liberte-se de situações estressantes
Diariamente conceda a si mesmo, ao menos por alguns momentos, uma pausa para respirar. Defina objetivos realistas para si próprio
Reduza o número de eventos ocorrendo em sua vida e você talvez reduza a sobrecarga no percurso.
Não transpire por coisas pequenas
Tente priorizar um pequeno número de coisas realmente importantes e deixe o resto de lado. Não sobrecarregue a si mesmo
se agoniando por causa do seu trabalho inteiro. Cuide de cada tarefa conforme ela chega ou, seletivamente, trate das questões por meio de alguma prioridade.
Seletivamente mude os seus padrões de reação,
mas não tanto de uma vez só. Concentre-se em uma única coisa preocupante e administre suas reações a isto/ele/ela Mude a sua maneira de ver as coisas
Aprenda a reconhecer o stress pelo que ele é. Aumente a reatividade do seu corpo e faça um autocontrole do stress.
Evite reações extremas;
Para que odiar quando uma pequena antipatia é o bastante? Por que ficar angustiado quando se pode ficar apenas tenso? Por que se enfurecer quando raiva já faz o trabalho? Para que ser deprimido quando você pode apenas ficar triste? Faça alguma coisa pelos outros
para ajudar a desligar o pensamento de si próprio
Durma o suficiente
A falta do sono só agrava o stress. Livre-se gradualmente do stress
com atividades físicas, seja uma caminhada, tênis ou jardinagem.
Evite automedicação ou escapismos
Álcool e drogas podem mascarar o stress. Mas eles não ajudam a tratar dos problemas. Desenvolva uma segunda pele
O ponto principal do tratamento do Stress é "Eu me preocupo comigo mesmo"
O mais importante é que, se o stress está lhe colocando em um estado intratável ou interferindo em sua atividade escolar, vida social e/ou profissional, procure auxílio profissional no departamento de aconselhamento pedagógico de sua instituição de ensino.
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