domingo, 30 de junho de 2013
O lazer na vida do estudante universitário
O lazer, nos dias atuais, exerce uma contingência importante na vida das pessoas. Apesar do seu entendimento no espaço de vida dentro do âmbito educacional, ser visto como preconceituoso e estigmatizante.
Sabe-se que o lazer foi por muito tempo considerado algo que desencadeia mudanças no ser humano em todos os sentidos e aspectos relacionados, até mesmo, como cita Marcellino (1995), com a ordem moral, cultural e social.
Para Sant'Anna (1992), Dumazedier (1974) e Bruhns (1997), essas mudanças não ocorreram abruptamente, pois, nas sociedades pré-industriais, o conceito de lazer não existia, pois o ritmo de trabalho e tempo livre eram determinados de acordo com as estações do ano. Durante as boas estações se trabalhava bastante, enquanto nas frias, a produção do trabalho diminuía, sendo então definido pelo "ritmo da natureza".
A Revolução Industrial marcou a história do conceito de lazer, pois, com o surgimento das máquinas, o ritmo de trabalho passou a ser uma variável importante, ficando os homens dependentes das máquinas, determinados pela produção que gerava acúmulo de capital.
Com as longas jornadas de trabalho, sobrando tempo apenas para o sono, em que momento o ser humano iria ter diversão, entretenimento e prazer? A saída foi à luta pela redução da jornada de trabalho, desencadeando muitas greves e manifestações. Com a vitória do trabalhador reduzindo a carga horária de trabalho, o tempo livre para poder se divertir e descansar passou a ser uma mercadoria (Santos 1999).
De acordo com Garcia (1997), seriam oito horas de trabalho, oito horas de sono e oito horas de tempo livre, o equilíbrio ideal e qualitativo da vida.
Conforme o tempo de trabalho foi diminuindo, as pessoas encontraram outras formas de utilizar o tempo livre, além do descanso, surgindo, então, o conceito de lazer. Para Marcellino (1983) o lazer aparece como esfera própria e concreta, surgindo como respostas a reivindicações sociais pela melhor distribuição do tempo e do trabalho, ligado as relações dos homens com as realidades vividas.
O lazer tem uma característica particular de gratuidade e liberdade, que faz com que as pessoas o vejam como algo prazeroso, sem compromisso e praticado em um tempo livre, ausente de preocupações. Estes elementos, como complementam Santini (1993) e Leite (1995), se inserem no termo "lazer", como algo que tenda para um significado de ausência ou afrouxamento de diferentes regras, dependência, ausência de obrigações de repressão ou censura, ou seja, livre.
Dentre os conceitos, muitos tomam como ponto de referência Joffre Dumazedier, (1973) - sociólogo francês que por questões metodológicas, divide o lazer em cinco grandes tipos de interesses, sendo, as atividades físicas, manuais, intelectuais, artísticas, e sociais. Camargo (1993), acrescenta que atividades turísticas também podem ser incluídas nesta classificação, assim como Schwartz (2003) sugere a inclusão dos interesses virtuais.
Segundo Marcellino (1983, 1995), o equilíbrio entre as práticas no contexto do lazer é fundamental para as pessoas desenvolverem suas potencialidades e Largura (2000) aponta que para isso ocorrer, as pessoas precisam ser educadas, necessita-se de uma aprendizagem, para o tempo livre também e não só para o trabalho, para que sejam estimuladas outras formas de raciocínio e de desenvolvimento social.
Myers (1999), classifica a aprendizagem como uma mudança realizada através de experiências vividas. O mesmo acontece com o lazer, pois a aceitação e a importância de suas atividades depende, em grande parte, da forma como interpretamos, vivenciamos e aprendemos suas definições e relações com o desenvolvimento, não só acadêmico, mas também da Universidade como um todo.
Nesse sentido, é muito importante a reflexão sobre os tipos de vivências no contexto do lazer de estudantes Universitários, pois, como se observa em Largura (2000), os estudantes Universitários, na maioria das vezes, trabalham durante o dia e estudam a noite, tendo somente os finais de semana para o estudo e o descanso, sendo comum verificar uma tendência de que o lazer só se faz presente para as pessoas que não trabalham nem estudam.
Marcellino (1996) complementa que os estudantes que trabalham são prejudicados por serem afetados pela não coincidência do período de férias do trabalho, com as férias da escola, acarretando ainda mais o problema em relação ao tempo destinado ao lazer. Sem opção de mudança da rotina diária, a falta de lazer pode causar conseqüências desastrosas, tanto no ponto de vista global, quanto no prazer de viver.
Flávia Regina Martoni, Profª Drª Gisele Maria Schwartz
Aproveitem o recesso para oxigenar o cérebro.
sábado, 22 de junho de 2013
Nervosismo em exames e provas
“Deu branco!”
“Eu sabia tudo, mas só lembrei a resposta depois que entreguei a prova!”
“Parece que quanto mais estudo menos sei!”
Passar numa prova, seja ela concurso publico, vestibular ou OAB depende tanto dos conhecimentos adquiridos nos estudos como do estado mental na hora de responder esta prova.
Há uma quantidade enorme de pessoas sendo injustiçadas - por si mesmas - e não assumem cargos que merecem, entram na faculdade que desejam ou iniciam logo suas atividades como advogados por não conseguirem a devida tranquilidade na hora da prova e finalmente conseguir colocar no papel todo o conhecimento que tem mas que só surge na lembrança depois que entregam a prova.
Este nervosismo pode aparecer apenas na hora em que sentou diante da prova, um dia antes, uma semana antes ou ser continua desde o momento em que soube que precisará responder a tal prova.
Não há tantas pessoas no mundo que desfrutem de sensação de ser avaliado, testado ou julgado por outros. Normalmente não damos o direito de que outras pessoas digam o quanto somos capazes. Mas as provas são necessárias, existem há muito tempo e não deixarão de existir. Não há como nos livrar delas. O melhor caminho será fazer as pazes com elas e enfrenta-las com serenidade. Mas como?
Uma grande quantidade de pessoa já procuraram psicólogos em sua clinicas de psicologia para tratarem justamente desta ansiedade específica. E podem ser beneficiados com ótimos resultados.
O psicólogo pode seguir alguns caminhos para atingir esta meta terapêutica. Ele pode analisar o quanto esta prova representa para você outras situações semelhantes já vividas e que deixaram traumas. Pode analisar o quanto você mesmo se boicota, ou seja, inconscientemente não deseja passar nesta prova. Ou pode ir direto ao assunto e lhe treinar para estar mais à vontade na hora da prova e não deixar que o nervosismo influencie. Todos são caminhos uteis e com boas chances de resultados positivos.
Não nos damos conta mas vivencias anteriores onde fomos excessivamente cobrados ou pessoas importantes demonstraram decepção por nosso desempenho podem deixar marcas tão profundas a ponto de não conseguirmos passar por situações onde tenhamos que demonstrar nossa capacidade – isto é, provas e exames. Há um medo interno de não sermos capazes. Este medo é o grande fator chamado “Deu branco!”.
Outra origem deste medo pode ser a falta de preparo ao longo da infância para lidar com situações similares. Os pais devem, desde muito cedo, acolher seus filhos e prepara-los para estas situações difíceis.
Mas nada disso precisa continuar assim. Mesmo que tenha havido algo que o marcou e não o permite responder a provas, mesmo que seja apenas sua falta de treino em lidar com situações estressantes e frustrantes, há saída. Um bom psicólogo o ajudará no caminho da tão sonhada tranquilidade e trabalhar para superar esta dificuldade.
domingo, 16 de junho de 2013
Síndrome de Burnout
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Síndrome de Burnout
Por Paula Perin dos Santos
A Síndrome de Burnout (do inglês “burn” = queima, “out” = exterior) é o nome dado à exaustão completa que vem afetando muitos profissionais que trabalham diretamente com pessoas como médicos, professores, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, policiais, alunos, até mesmo artistas, atletas e profissionais liberais que lidam com clientes, consumidores e usuários.
Quem sofre de Burnout geralmente fica sob um nível de estresse gritante, cansaço e mal-estar generalizado, apresentando sinais de esgotamento emocional, psíquico e físico que estão intimamente relacionados ao desempenho e à atividade profissional. Além disso, o indivíduo desenvolve atitudes negativas, sentimento de fracasso, de impotência diante dos problemas e baixa auto-estima. Também é comum a pessoa que sofre desse mal apresentar-se irritadiço com todos à sua volta, por se sentir frustrado.
A nova situação do mercado de trabalho, onde muitos profissionais acumulam funções e sentem-se pressionados a dar conta de muitas tarefas, é um dos fatores que desencadeiam a Síndrome de Burnout. Outro fator que merece ser destacado é a excessiva jornada de trabalho, enfrentada principalmente pelas mulheres.
Algo que tem se tornado muito comum é a grande cobrança sobre o desempenho das pessoas, isso tanto nas relações de trabalho como nas relações familiares. Existem profissionais que chegam ao completo esgotamento por não conseguirem dar conta de um trabalho burocrático, acabando por sucumbir à angústia e frustração; outros lidam com o assédio moral no trabalho e não conseguem se impor à situação. Outra grande exigência de mercado é a constante atualização: só uma graduação não é suficiente. É preciso ter pós-graduação e mestrado e/ou doutorado para conseguir uma posição melhor nesse mercado competitivo. Isso faz com que o profissional precise dedicar mais tempo ao trabalho, restando pouco tempo para a família, saúde e lazer.
Em casos extremos de Síndrome de “Burnout”, é aconselhável sessões de Psicoterapia e até mesmo o uso de antidepressivos, receitados por um médico especializado. Para quem se identificou com alguns sintomas, a dica do colaborador da Revista Psique, o psicólogo Luiz Gonzaga Leite, é: identificar de onde vem o problema e procurar meios que possam diminuí-los; preencher o tempo livre com atividades prazerosas; tirar um dia para não fazer nada, inclusive não atender ao telefone; dedicar um tempo para realizar um trabalho voluntário: ajudando alguém você se sente útil e não se concentra nos seus problemas e investigar se as causas do esgotamento estão ligadas ao trabalho. Se constatar que sim, é hora de repensar suas habilidades e potencialidades, questionando se vale realmente à pena continuar neste cargo.
Fontes
LEITE, Luiz Gonzaga. Completa Exaustão. IN: Revista Psique, Ciência e Vida. Ano 1, Nº 11. São Paulo, Editora Escala, p. 68-9.
domingo, 9 de junho de 2013
Desapego
Significa: Desprendimento diante das coisas superficiais, das vaidades em detrimento de fatos importantes e que fazem sentido a vida. Saber dividir e compartilhar.
Vamos começar pelo principal, desapegar-se do próprio desapego. Exercício diário e constante, precipita-se quem imagina que agir de forma radical seja o ideal, pode se arrepender e não aprender.
O caminho para desapegar-se começa por ser entendido a sua essência, depois gradativamente colocado em prática, Aprender que as coisas não duram para sempre, tudo é transitório, ilusório e impermanente. Não é simplesmente, se desfazer de tudo o que é material, pois somos pensamento, sentimentos, ações e reações; meio humano e meio essência. Desapegar-se significa mudar. Mudança significa vibrar em outra frequência, eliminar falsos conceitos e substituir pelo que é mais adequado a cada um de nós. Portanto, isso é um evento individual e particular.
O que é preciso então? Se centrar, equilibrar, entender que nada nos pertence, a não ser nós mesmos. Aproveitar a estada de cada pessoa em nossas vidas, assim como, cada coisa. Tornar livre cada momento, cada situação, cada acontecimento, agradecendo por tudo.
O desapego tem como significado, a liberdade, fim da prisão de falsos valores e o entendimento de que, quem comanda nosso destino, somos nós mesmos, e que não está e nem estará aprisionado a possuir pessoas ou objetos, pois nada é realmente nosso.
domingo, 2 de junho de 2013
O processo de esquecimento dirigido e as alterações do estado de humo
VICTOR CLAUDIO (*)(*) Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Lis-
boa. Bolseiro PRAXIS XXI
Quantas vezes tentamos recordar algo e não
conseguimos ?
Quantas vezes queremos esquecer algo e é im-
possível ?
Quantas vezes recordamos o que não quere-
mos?
Esquecemos aquilo que queremos esquecer?
Como se processa o esquecimento dirigido?
Podemos tentar responder a estas questões si-
tuando-nos no paradigma do processamento de
informação.
Assim, no primeiro caso, querer recordar e
não conseguir, prende-se com uma inibição na
evocação da informação.
Podemos definir o conceito de inibição na
evocação de informação, como um processo
adaptativo que suprime ou bloqueia a informa-
ção presente na memória.
O carácter adaptativo manifesta-se através da
disponibilização da memória para novas aquisi-
ções, i.e., este processo, permitindo esquecer
aquilo que não é actualmente necessário, dispo-
nibiliza a memória para aquilo que é pertinente.
A disponibilização da memória relaciona-se in-
timamente com a supressão da informação. Esta,
actuando directamente sobre a informação a
inibir, tem como objectivo evitar a interferência
de material mnemónico mais antigo na nova in-
formação adquirida ou evitar recordações desa-
gradáveis para o sujeito.
O bloqueamento de informação prende-se
com o facto de que quando são activados deter-
minados items na memória, outros que perten-
cem à mesma categoria tem o acesso bloqueado.
A inibição do acesso à informação é também
responsável pelo esquecimento dirigido, i.e., es-
quecimento desencadeado por uma instrução no
sentido de esquecer a informação.
Podemos então considerar o conceito de ini-
bição da evocação da informação em dois senti-
dos:Como
bloqueamento
: neste caso, a inibição
seria devida ao facto de quando o sujeito activa
determinados items da memória, outros perten-
centes à mesma categoria, terem o acesso blo-
queado.
Como
supressão
: sendo este o sentido em que
o conceito revela de forma mais explícita as suas
características adaptativas. Já que a supressão da
informação, tem como objectivo evitar a inter-
ferência de material mnemónico mais antigo
nas novas aquisições de informação ou evitar re-
cordações desagradáveis para o sujeito. O pro-
cesso de supressão, actua directamente sobre a
informação a inibir.
Bjork (1989), alerta para a importância de di-
ferenciar o conceito de inibição da evocação de
informação, do conceito de recalcamento, defini-
do por Freud (1914). Este seria um mecanismo
de defesa, como tal não consciente, enquanto
que na inibição da evocação da informação há
uma intenção consciente de supressão ou blo-
queamento da informação
Respondemos assim à primeira e última ques-
tão que colocamos. A resposta à segunda, tercei-
ra e quarta questões, prende-se com uma inefi-
ciente actuação do processo de inibição de infor-
mação.
Além do processo de inibição da evocação de
informação, há outro factor que também in-
fluencia o acesso e evocação da informação
contida na memória. Falamos do estado de hu-
mor do sujeito.
Eich e Metcalfe (1989), preconizam que a ca-
pacidade de acesso e evocação da informação na
memória, está relacionada com o estado de hu-
mor com que essa informação foi codificada, e
com o estado de humor com que é evocada. Se
existe diferença nos tipos de estados de humor,
entre a codificação e a evocação de informação,
a dificuldade de esta última se realizar é maior.
Um trabalho de Weingartner e col. (1977),
mostra que as associações de palavras realizadas
por sujeitos em crise maníaca, eram evocadas
mais 97% nesse estado de humor, do que em
estado de humor normal. Realçam também o
facto de que as alterações da memória são mais
notórias quando o estado de humor sofre modi-
ficações radicais (p.e. alegria-tristeza ou vice-
-versa).
Clark e col. (1983), baseando-se no facto de
existir uma relação directamente proporcional
entre o nível de alerta e o estado de humor, i.e., o
nível de alerta é elevado nos estados de humor
alegre e o contrário, afirmam que as dificuldades
de evocação da informação estão relacionados
com um baixo nível de alerta, desencadeado pe-
la existência de um estado de humor negativo.
Num trabalho que realizámos (V. Claudio,
1987), podemos observar que os sujeitos depri-
midos, quando comparados com os sujeitos
esquizofrénicos e voluntários normais, apresen-
tam um nível de alerta e de memória inferiores.
Nos trabalhos de Eich e Metclfe (1989), os re-
sultados indicam que apenas uma grande mo-
dificação do alerta e do estado de humor, origi-
nam uma pior evocação, que a provocada por
uma grande mudança no estado de humor. Apon-
tam também no sentido de que a evocação de
acontecimentos internos, i.e., construidos pelo
sujeito, estão mais dependentes das alterações do
estado de humor do que acontecimentos exter-
nos.
Podemos afirmar, que existem dois efeitos do
estado de humor sobre a memória:
Dependência do humor
: A evocação de acon-
tecimentos, independentemente do valor afectivo
que o sujeito lhe atribui, é tanto melhor quando
realizada com o mesmo estado de humor com
que foram codificados.
Congruência do humor
: Se existir uma simila-
ridade entre o contéudo afectivo que o sujeito
atribui ao acontecimento e o estado de humor no
momento da codificação ou evocação, estes são
facilitados.
Pensamos ser importante clarificar a noção de
esquecimento dirigido, i.e., o esquecimento de
uma determinada informação depois de uma
instrução nesse sentido. Por exemplo, antes de
se apresentar ao sujeito, uma série de cinco dígi-
tos, diz-se que ele deve apreender a série que vai
ver. No fim desta série diz-se que aqueles dígitos
serviram apenas para treinar, que os deve esque-
cer e que deve sim apreender a série que vai ver
a seguir. Depois da apresentação desta segunda
série, pedimos ao sujeitos que nos diga os dígitos
que se lembra. Se ele não evocar nenhum dos dí-
gitos da primeira série, a instrução de esqueci-
mento dirigido foi 100% eficaz.
Os trabalhos de Bjork (1970), indicam que a
instrução para esquecer, produz mais resultado
quando fornecida antes da apresentação dos es-
tímulos a recordar, i.e., a instrução para ter
efeito, deve surgir antes da representação dos
items na memória se estabilizar.
Bjork (1972), refere que o processo de esque-
cimento dirigido pode ser influenciado por dois
mecanismos, presentes no processo de codifica-
ção da memória:
A
Enumeração Selectiva
: Que leva o sujeito a
centra-se apenas nos items que surgem depois da
instrucção para esquecer.
Os
Agrupamentos Diferenciados
: Que leva o
sujeito a agrupar de forma separada items a
lembrar e items a esquecer.
Assim, o processo de esquecimento dirigido
seria explicado através da utilização dos meca-
nismos de codificação.
Diversos trabalhos (em que salientamos o de
Bjork & Geiselman, em 1978), demostram empi-
ricamentre que apenas estes mecanismos relacio-
nados com a codificação da informação, não são
suficientes para explicar o esquecimento dirigi-
do.
Bjork (1978) defende a existência de um Me-
canismo de Desaparecimento relacionado com
esse fenómeno. Posteriormente, Geiselman e
col. (1983) descrevem este mecanismo como a
inibição da evocação da informação.
Tomando como referencial estes pressupostos
e os trabalhos empíricos que os suportam, po-
demos afirmar que o processo de esquecimento
dirigido, será resultado de uma modificação na
codificação e de uma inibição na evocação da in-
formação.
Pensamos ser importante referir, ainda que de
forma sucinta, o modelo cognitivo da depressão
com que trabalhamos.
Segundo o modelo proposto por Champion e
Power (1986), os indivíduos com tendência para
a depressão, possuem um objectivo sobrevalori-
zado para cuja execução estão orientados ou um
papel sobrevalorizado, que assume geralmente a
forma de um objectivo interpessoal. O sujeito
subvaloriza as outras áreas da sua vida, em rela-
ção ao objectivo ou papel. Estes, têm como uma
das funções, inibir partes negativas e inaceitáveis
do modelo de self do sujeito. O indivíduo com
tendência para a depressão, caracteriza-se tam-
bém por uma vulnerabilidade aos acontecimen-
tos ou dificuldades que ameaçam o objectivo ou
papel dominante. Assim, a ocorrência de um
acontecimento que ameaça a perda destes, é
acompanhada pela perda das suas funções
inibitórias. Desta forma, o indivíduo experiencia
uma perda intrapsíquica de controlo, e um au-
mento de pensamentos, imagens e emoções in-
desejáveis. Tal perda ou ameaça, deixa ainda no
indivíduo um sentimento de vazio, de ausência
de objectivos e de inutilidade, já que se mantêm
poucas ou nenhumas alternativas de valor.
Podemos observar nos sujeitos deprimidos:
- A construção de um modelo mental negati-
vo do self
- Alteração da tríade cognitiva (de si, do pre-
sente, do futuro)
- Usa um mecanismo de abstração selectivo,
processando a informação de forma parcial
i.e., apenas a informação negativa.
- Os pensamentos automáticos negativos, que
se caracterizam por ser pouco razoáveis,
disfuncionais, repetitivos e idiossincráticos,
embora vivenciados pelo sujeito como plau-
síveis, representam o material cognitivo di-
rectamente acessível e que espelha as contí-
nuas auto-avaliações negativaas que o sujei-
to deprimido realiza.
Como facilmente se pode concluir, nestes su-
jeitos, o processo de inibição da evocação de in-
formação, com o seu objectivo de adpatação não
é realizado (recordemos que uma das funções da
supressão da informação é impedir as recorda-
ções dolorosas, para o sujeito
HIPÓTESES
As hipóteses em estudo são as seguintes:
A 1.ª hipótese é a de que existe uma desinibi-
ção no acesso à informação no sujeito depres-
sivo, que não permite que a instrução de esque-
cer a 1.ª metade de uma lista de adjectivos, de-
sencadeie com a mesma potência que em outros
grupos, um processo de esquecimento dirigido.
O sujeito deprimido é submergido pela contínua
evocação da informação com valência negativa,
o que não lhe permite actualizar a informação
nem impedir as recordações dolorosas. Isto leva
também à 2.ª hipótese, de que o estado de humor
do sujeito deprimido implica um maior esqueci-
mento dos adjectivos com valência positiva,
comparativamente com os de valência negativa ,
independentemente da sua posição numa lista de
adjectivos.
CONCLUSÔES
Os resultados que obtivemos no 1.º estudo,
não vão ao encontro da primeira hipótese que co-
locámos, já que como se observou, qualquer
dos grupos – deprimidos e não deprimidos – não
apresentaram diferenças significativas na evoca-
ção de adjectivos da 1.ª série, i.e., a instrução de
esquecer, embora tenha levado a uma menor
evocação de adjectivos, em ambos os grupos,
não originou uma menor evocação de adjectivos
positivos em relação aos adjectivos negativos, no
grupo de sujeitos deprimidos. Assim, a instrução
de esquecimento dirigido funcionou de igual
forma para o grupo de sujeitos deprimidos e o
dos sujeitos não deprimidos.
No segundo estudo, em que se introduziu o
processamento auto-referente dos adjectivos,
podemos observar que a instrução de esquecer
leva a que o grupo de sujeitos não deprimidos
evoque menos adjectivos, que o grupo de sujei-
tos não deprimidos. Contudo, o grupo de sujeitos
deprimidos evoca mais adjectivos negativos do
que positivos, da 1.ª série.
Isto leva, a que o grupo de sujeitos deprimidos
não apresentem o bias positivo que se observa
no grupo de sujeitos não deprimidos, e que tam-
bém se observa no 1.º estudo Podemos considerar que a perda deste
bias
positivo é desencadeada pelo processamenteo
auto-referente dos adjectivos.
A inclusão do self no processamento, que
leva a um
bias
positivo nos sujeitos não
deprimidos, é concordante com outros estudos
de memória, como por exemplo os testes auto-
biográficos de memória.
No que se refere ao acesso à informação, os
resultados dos dois estudos comprovam que
existe, no grupo de sujeitos deprimidos, uma
desinibição do acesso à informação. Assim,
quando deliberadamente tentam memorizar –
quando a instrução que devem memorizar é
fornecida –, o grupo de sujeitos deprimidos pro-
cessa, retém e evoca preferencialmente palavras
negativas, i.e., palavras que são congruentes
com o seu estado de humor. Este aspecto reforça
a existência, neste grupo, de uma atenção foca-
lizada na informação com valência negativa.
Podemos relacionar este aspecto, com as pertur-
bações no processamento de informação nos su-
jeitos deprimidos, causado pela existência de um
modelo mental negativo do self e pelos modelos
mentais que este gera.
Os modelos mentais, noção introduzida por
Johnson-Laird (1983), são fenómenos não cons-
cientes, situados na memória de evocação. As-
sim, levam a que o sujeito deprimido processe e
retenha apenas a informação negativa, congruen-
te com o seu estado de humor, i.e., os modelos
mentais funcionam como um filtro selectivo no
processamento de informação.
O facto de os sujeitos deprimidos, possuirem
regras muito rigídas, leva a que os modelos
mentais que constroem, se apresentem, na maio-
ria das vezes, como incontestáveis. Seria esta, a
origem dos sentimentos de desvalorização e pes-
simismo típico dos deprimidos.
Os modelos mentais, aparecem clinicamente,
em forma de acontecimentos cognitivos. Por
exemplo, auto-conceito, pensamentos automáti-
cos. Os resultados observados, no 2.º estudo, nos
sujeitos deprimidos, baixo auto-conceito, baixa
atribuição do significado que pode ter para os
outros, reduzida competência em relação aos
problemas e elevado valor nas atitudes disfun-
cionais, reforçam a existência de modelos men-
tais negativos, neste grupo.
Esta passagem dos modelos mentais – que são
estruturas profundas – para acontecimentos
cognitivos – estruturas superficiais – é mediati-
zada pelos processos cognitivos. Isto permite-
-nos afirmar, que quando existe distorção, esta é
reflexo de uma perturbação estável e profunda
dos mecanismos de pensamento lógico.
Para terminar citaríamos Ribot (1982):
Sem a total obliteração de um imenso núme-
ro de estados de consciência, e a momentânea
inibição de ainda mais, a recolha de informação
seria impossível. O esquecimento, excepto em
certos casos, não é uma alteração da memória
mas sim uma condição para a saúde e a vida.
»
Como a psicologia pode contribuir para o autoconhecimento individual?
Barbara Isanski
O que somos e o que queremos ser
Até que ponto você conhece a si próprio? Esta é uma questão que muito de nós se faz constantemente, à medida que tentamos saber se já estamos próximos de ser o que realmente gostaríamos de ser.
Em um novo estudo, publicado no jornal científico Perspectives on Psychological Science, o Dr. Timothy D. Wilson, da Universidade da Virgínia (EUA) descreve várias teorias sobre o autoconhecimento - ou seja, como as pessoas formam as crenças a respeito de si mesmas -, lista desafios que os psicólogos encontram ao tentar estudá-lo, e oferece caminhos para que possamos nos tornar um pouco melhores do que somos.
Estudando o autoconhecimento
O estudo do autoconhecimento tem tendido a se focar nas medições de quão bons nós somos em determinar nossos próprios estados internos, tais como nossas emoções, personalidade e atitudes.
Entretanto, Wilson destaca que o estudo do autoconhecimento pode ser ampliado para incluir a memória - como nos sentíamos no passado - e a prospecção - prevendo como nos sentiremos no futuro.
Sabendo o que nós éramos e como nos tornaremos pode ser tão importante para o autoconhecimento quanto saber como nós somos no presente. E, enquanto um grande número de pesquisadores está conduzindo estudos aplicáveis a essas várias facetas do autoconhecimento, Wilson observa que não há muita comunicação entre eles, uma razão pela qual esse campo é tão difícil de investigar.
Criatividade metodológica
Embora possa ser muito simples avaliar como as atitudes das pessoas variam ao longo do tempo - pedindo-lhes para prever como elas se sentirão num determinado tempo no futuro e então medindo de fato suas emoções naquele momento - é muito mais difícil medir com precisão o conhecimento de uma pessoa sobre si mesma no presente.
Alguns métodos para adquirir informações precisas sobre os sentimentos de uma pessoa ou sobre sua personalidade incluem a comparação de relatos de pessoas próximas a ela e o estudo de seu comportamento não-verbal.
Entretanto, Wilson tem uma "grande fé na criatividade metodológica" dos seus colegas psicólogos sociais e está confiante que as questões levantadas por esses experimentos serão respondidas nos próximos poucos anos.
Como conhecer a si mesmo
O psicólogo sugere algumas formas que podem nos ajudar a aprender mais sobre nós mesmos, tais como tentar ser objetivo quando analisamos nossos próprios comportamentos e tentar ver a nós mesmos com os olhos de outra pessoa.
Outra forma de conhecer melhor a si mesmo é se tornar consciente das descobertas da ciência psicológica. "A maioria de nós presta atenção às descobertas médicas que dizem respeito ao nosso corpo (como o fumo faz mal à saúde, por exemplo) e pode aprender sobre o nosso eu psicológico da mesma forma," conclui o pesquisador.
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