domingo, 30 de junho de 2013
O lazer na vida do estudante universitário
O lazer, nos dias atuais, exerce uma contingência importante na vida das pessoas. Apesar do seu entendimento no espaço de vida dentro do âmbito educacional, ser visto como preconceituoso e estigmatizante.
Sabe-se que o lazer foi por muito tempo considerado algo que desencadeia mudanças no ser humano em todos os sentidos e aspectos relacionados, até mesmo, como cita Marcellino (1995), com a ordem moral, cultural e social.
Para Sant'Anna (1992), Dumazedier (1974) e Bruhns (1997), essas mudanças não ocorreram abruptamente, pois, nas sociedades pré-industriais, o conceito de lazer não existia, pois o ritmo de trabalho e tempo livre eram determinados de acordo com as estações do ano. Durante as boas estações se trabalhava bastante, enquanto nas frias, a produção do trabalho diminuía, sendo então definido pelo "ritmo da natureza".
A Revolução Industrial marcou a história do conceito de lazer, pois, com o surgimento das máquinas, o ritmo de trabalho passou a ser uma variável importante, ficando os homens dependentes das máquinas, determinados pela produção que gerava acúmulo de capital.
Com as longas jornadas de trabalho, sobrando tempo apenas para o sono, em que momento o ser humano iria ter diversão, entretenimento e prazer? A saída foi à luta pela redução da jornada de trabalho, desencadeando muitas greves e manifestações. Com a vitória do trabalhador reduzindo a carga horária de trabalho, o tempo livre para poder se divertir e descansar passou a ser uma mercadoria (Santos 1999).
De acordo com Garcia (1997), seriam oito horas de trabalho, oito horas de sono e oito horas de tempo livre, o equilíbrio ideal e qualitativo da vida.
Conforme o tempo de trabalho foi diminuindo, as pessoas encontraram outras formas de utilizar o tempo livre, além do descanso, surgindo, então, o conceito de lazer. Para Marcellino (1983) o lazer aparece como esfera própria e concreta, surgindo como respostas a reivindicações sociais pela melhor distribuição do tempo e do trabalho, ligado as relações dos homens com as realidades vividas.
O lazer tem uma característica particular de gratuidade e liberdade, que faz com que as pessoas o vejam como algo prazeroso, sem compromisso e praticado em um tempo livre, ausente de preocupações. Estes elementos, como complementam Santini (1993) e Leite (1995), se inserem no termo "lazer", como algo que tenda para um significado de ausência ou afrouxamento de diferentes regras, dependência, ausência de obrigações de repressão ou censura, ou seja, livre.
Dentre os conceitos, muitos tomam como ponto de referência Joffre Dumazedier, (1973) - sociólogo francês que por questões metodológicas, divide o lazer em cinco grandes tipos de interesses, sendo, as atividades físicas, manuais, intelectuais, artísticas, e sociais. Camargo (1993), acrescenta que atividades turísticas também podem ser incluídas nesta classificação, assim como Schwartz (2003) sugere a inclusão dos interesses virtuais.
Segundo Marcellino (1983, 1995), o equilíbrio entre as práticas no contexto do lazer é fundamental para as pessoas desenvolverem suas potencialidades e Largura (2000) aponta que para isso ocorrer, as pessoas precisam ser educadas, necessita-se de uma aprendizagem, para o tempo livre também e não só para o trabalho, para que sejam estimuladas outras formas de raciocínio e de desenvolvimento social.
Myers (1999), classifica a aprendizagem como uma mudança realizada através de experiências vividas. O mesmo acontece com o lazer, pois a aceitação e a importância de suas atividades depende, em grande parte, da forma como interpretamos, vivenciamos e aprendemos suas definições e relações com o desenvolvimento, não só acadêmico, mas também da Universidade como um todo.
Nesse sentido, é muito importante a reflexão sobre os tipos de vivências no contexto do lazer de estudantes Universitários, pois, como se observa em Largura (2000), os estudantes Universitários, na maioria das vezes, trabalham durante o dia e estudam a noite, tendo somente os finais de semana para o estudo e o descanso, sendo comum verificar uma tendência de que o lazer só se faz presente para as pessoas que não trabalham nem estudam.
Marcellino (1996) complementa que os estudantes que trabalham são prejudicados por serem afetados pela não coincidência do período de férias do trabalho, com as férias da escola, acarretando ainda mais o problema em relação ao tempo destinado ao lazer. Sem opção de mudança da rotina diária, a falta de lazer pode causar conseqüências desastrosas, tanto no ponto de vista global, quanto no prazer de viver.
Flávia Regina Martoni, Profª Drª Gisele Maria Schwartz
Aproveitem o recesso para oxigenar o cérebro.
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