sábado, 19 de outubro de 2013

Estresse & Sistema Imune

Prof. Selma Cordeiro de Andrade Em minha experiência profissional, tenho constatado que as pessoas que permanecem por muito tempo 'identificadas' com a perda, vivendo o luto, apegadas ao passado, e com quadro depressivo crônico, tendem a ter suas defesas imunológicas também deprimidas. Dr. Adjar Mendes, conceituado Médico Clínico e Ortomolecular (Belo Horizonte), que possui atuação em psicossomática, faz algumas advertências importantes para nós psicólogos. Ele explica que as defesas orgânicas, as células “Killer”, também “desistem”, por si, da defesa o organismo, pois fazem a “leitura” do estado de abandono ao qual o organismo já se instalou; ou seja, se o próprio indivíduo já se recusa a cuidar de si, então as células não mais necessitam de tanto empenho. É como se o médico tentasse traduzir em palavras, a ”leitura” que os anticorpos fazem do seu portador. As células “dão às costas” para os invasores e não mais se empenham em manter o seu trabalho de adaptação e homeostase, frente aos agressores. A pessoa fica em estado vulnerável, sendo importante que haja a intervenção clínica e psiquiátrica, para que o sujeito controle o seu estado depressivo, e suas defesas orgânicas voltem a ser reativadas. É como se houvesse um código secreto entre as células que “entendem” as mensagens do inconsciente estão apontando para a prevalência da pulsão (desejo inconsciente) de morte está mais que o instinto de preservação da vida. É assim que eu interpreto essa situação, e busco mostrar para o indivíduo o fato de que, ele próprio, está desistindo da luta e o seu corpo está obedecendo. Daí, a terapia se volta para a questão da sobrevivência, do lutar \ fugir, do questionamento acerca do script de vida e morte, enfim, o próprio organismo aponta a direção a ser seguida, em termos de conscientização, no sentido de se reverter o quadro de adoecimento. Muitas são as oportunidades em que temos conseguido reverte-lo. Por meio de pesquisa na psiconeuroimunologia descobriu-se que alguns fatores moderam os efeitos do estresse, incluindo intensidade, novidade e previsibilidade. A intensidade do estressor está positivamente relacionada aos glicocorticosteróides (cortisol) e a respostas autonômicas, que são indicadores de respostas imune. A “novidade” (experiência nova) está relacionada a reações fisiológicas: paraquedistas de primeira viagem apresentam glicocorticosteróides (cortisol) e catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) aumentados, no pulo inicial. No entanto, as reações fisiológicas diminuem, rapidamente, nos pulos consecutivos. Donde se conclui que: a previsibilidade aumenta as respostas adaptativas ao estresse. Por exemplo, a morte de um familiar hospitalizado se torna mais “admissível” que a acidental. Tivemos a oportunidade de acompanhar o falecimento do filho da atriz Cissa Guimarães, através da mídia, tempos atrás. Na ocasião, a mesma estava em evidência, como apresentadora de uma promoção voltada para os jogos da copa do mundo. O carro atingiu o rapaz, em um túnel no Rio de Janeiro. A atriz, que se encontrava em euforia, estimulando o público, foi brutalmente abatida com a notícia do acidente fatal; um exemplo de choque que causa trauma e sofrimento. A imprevisibilidade corroborou para agravar a sua dor, enquanto o apoio social, que veremos adiante, pode ter sido decisivo em sua recuperação, já declarada por ela, publicamente. Talvez, a maneira mais importante de lidar com o estresse seja pela interação com outras pessoas que forneçam apoio social.

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